Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Sinopse: O casal de recém-casados Marina e Anton, em vez de viajar para a lua de mel, fica preso em um elevador no 60º andar com um homem misterioso e vingativo.
Não é a primeira nem a última vez que vemos filmes cuja trama principal se passa dentro de um elevador. Se por um lado esse cenário serve como abertura para um filme de ação, como em "Velocidade Máxima" (1994), por outro, "Demônio" (2010) faz do local o último lugar onde alguém gostaria de estar. "Down: O Elevador da Morte" (2026) é um filme russo que possui uma premissa interessante, mas decai ao apostar em ideias já muito exploradas pelo cinema americano.
Dirigido por Marius Vaysberg, a história acompanha Marina (Yuliya Melnikova) e Anton (Egor Bulatkin), um casal que acaba de oficializar a união e está prestes a embarcar para a tão sonhada lua de mel. No entanto, os planos românticos são interrompidos de forma abrupta quando os dois entram no elevador de um arranha-céu de luxo. Eles ficam presos no local junto a um estranho (Igor Mirkurbanov), que, aos poucos, demonstra ser muito mais do que aparenta.
Devido a questões políticas, o cinema russo já teve dias melhores — principalmente na época de nomes como Andrei Tarkovsky, Sergei Parajanov e Mikhail Kalatozov. Hoje, ao menos, a indústria local procura alternar entre um cinema autoral e produções comerciais, como os gêneros de ação e ficção científica. O filme de Marius Vaysberg, por sua vez, demonstra que os realizadores conseguem entregar um suspense de horror eficiente, mesmo quando nos passa uma constante sensação de déjà vu.
A obra acerta ao criar um clima claustrofóbico, fazendo o espectador se perguntar qual será o verdadeiro destino dos protagonistas. Ao mesmo tempo, o cineasta pesa a mão na fórmula ao introduzir muitas armadilhas dentro do cenário, soando como algo que já assistimos em outros longas, como a franquia "Jogos Mortais". Porém, o filme ganha a nossa atenção com o surgimento da terceira figura, interpretada pelo ótimo ator Igor Mirkurbanov.
Com uma personalidade forte e uma presença que amedronta, o intérprete consegue construir um personagem ameaçador que, infelizmente, poderia ter ganhado maior espaço em cena. Em contrapartida, o roteiro inventa um quarto personagem misterioso, que acaba arquitetando novos jogos doentios para o casal central enfrentar. Por conta disso, a trama chega a um ponto inverossímil, restando ao público apenas aceitar o que está acontecendo.
Yuliya Melnikova e Egor Bulatkin até se esforçam em seus respectivos papéis, mas não transmitem química em momento algum. Ao menos, são capazes de se entregar a atuações que exigem bastante preparo físico, sobressaindo-se nas cenas de chutes e socos. Mas o final, previsível diga-se de passagem, somente nos brinda com uma lição de moral convencional, que não eleva o filme ao patamar que ele poderia ter alcançado se tivesse sido mais bem desenvolvido.
Em suma, "Down: O Elevador da Morte" é um passatempo divertido para aqueles que não exigem uma história original, mas buscam apenas boas doses de um suspense convencional.
16º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira na Cinemateca Capitólio
A Cinemateca Capitólio recebe a 16ª edição do Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira (CEN) entre os dias 25 de junho e 5 de julho. O festival integra uma programação distribuída em diferentes espaços culturais de Porto Alegre, com atividades na Cinemateca Capitólio ao longo do período. O Cine Esquema Novo é um festival dedicado às relações entre cinema, artes visuais e práticas contemporâneas do audiovisual. Em sua trajetória, busca articular diferentes formatos e modos de produção e exibição de imagens, reunindo obras que transitam entre o cinema e outros campos artísticos.
A edição de 2026 apresenta cerca de 130 obras organizadas em sete mostras, além de sessões especiais, atividades formativas e encontros voltados à reflexão sobre curadoria, produção e circulação audiovisual.
Programação na Cinemateca Capitólio
Na Cinemateca Capitólio, a programação reúne sessões de mostras competitivas, programas especiais e uma exposição na Galeria da instituição, além de atividades de abertura e debates.
Entre os destaques estão a Mostra Competitiva Brasil, principal eixo histórico do festival. Nesta edição, foram selecionadas 36 obras entre 840 inscrições recebidas de diferentes regiões do país e de produções realizadas no exterior por artistas brasileiros e avaliadas pela equipe curatorial formada por Dirneu Prates, Kamyla Belli, Jaqueline Beltrame e Ramiro Azevedo. E a Mostra Artista Convidada – Letícia Ramos, dedicada a um recorte de sua produção em cinema experimental e fotografia.
Também integram a programação a exposição A Biblioteca de Jorge Furtado e a Mostra Especial Petrobras – Kleber Mendonça Filho, que reúne curtas do realizador pernambucano. A relação entre o Cine Esquema Novo e a obra de Mendonça Filho acompanha diferentes momentos da história do festival. Ainda em sua primeira edição, em 2003, o CEN exibiu A Menina do Algodão, curta codirigido pelo realizador. Nos anos seguintes, Vinil Verde e Eletrodoméstica também integraram a programação. A mostra de 2026 retoma esse percurso e oferece ao público a oportunidade de revisitar trabalhos que ajudam a compreender a formação de um dos projetos autorais mais relevantes do cinema brasileiro contemporâneo.
A abertura do festival contará com a performance Letícia Ramos + Rossano Snel – Filmes e Música, que combina projeção de filmes com execução ao vivo de trilha sonora e foley por orquestra, sob regência de Rossano Snel e participação de Vagner Cunha, Nina Nicolayewsky e Marcelo Armani.
Destaques da programação
Abertura do festival
25 de junho, quinta-feira, 19h
Performance: Letícia Ramos + Rossano Snel – Filmes e Música
Apresentação com projeção de filmes e execução ao vivo de trilha sonora e foley.
Mostra Artista Convidada – Letícia Ramos
27 de junho, sábado, 19h
Sessão com oito obras realizadas entre 2007 e 2024, incluindo The Blue Night, Null Island e VOSTOK, seguida de conversa com a artista e Rossano Snel.
Exposição – A Biblioteca de Jorge Furtado
Galeria da Cinemateca Capitólio
26 de junho a 01 de julho | terça a domingo, 14h às 19h
Percurso por referências literárias presentes na filmografia do realizador, a partir de livros citados por personagens de seus filmes.
Mostra Especial Petrobras – Kleber Mendonça Filho
01 de julho, quarta-feira
15h: Crítico
17h: Vinil Verde, Eletrodoméstica, Noite de Sexta, Manhã de Sábado, Recife Frio
Mostra Competitiva Brasil
Sessões entre 26 de junho e 30 de junho
Conjunto de 36 obras selecionadas entre 840 inscrições, distribuídas em diferentes programas e acompanhadas de debates após as sessões.
Encerramento
A 16ª edição do Cine Esquema Novo reúne diferentes formatos de exibição e atividades públicas que articulam cinema, artes visuais e pesquisa audiovisual contemporânea. Na Cinemateca Capitólio, a programação integra sessões, debates e exposições abertas ao público. A programação é inteiramente gratuita.
Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicando aqui.
Sinopse: Elias, de 14 anos, reside em uma aldeia flamenga. Quando Alexander, também de 14, se muda de Bruxelas para a casa do outro lado da rua, Elias experimenta seus primeiros sentimentos de amor.
Recentemente, tenho observado como o cinema tem abordado o surgimento de relacionamentos homoafetivos na transição da infância para a adolescência. Filmes como o belga "Close" (2022) e o japonês "Monster" (2023) retratam o nascimento dessas relações de forma singela, embora orquestrados para fins trágicos e reflexivos. Já o britânico "Corações Jovens" (2025) conduz essa dinâmica com igual delicadeza, mas ganha contornos esperançosos à medida que a história avança.
Dirigido por Anthony Schatteman, o longa acompanha Elias, um jovem de 14 anos que se sente atraído por seu novo vizinho, Alexander. Logo, ele percebe que está se apaixonando pela primeira vez. Ao contrário de Elias, Alexander é extrovertido e cativante, o que desperta uma admiração imediata. Temendo o julgamento de familiares e amigos diante do desconhecido, Elias esconde seus sentimentos e mente para todos, enquanto a convivência com o novo amigo o deixa cada vez mais confuso.
A transição para a adolescência é um período sabidamente confuso, repleto de sentimentos conflitantes que nos fazem questionar onde nos encaixamos perante uma sociedade ainda conservadora. Schatteman constrói uma narrativa com a qual o espectador facilmente se identifica, já que Elias é o reflexo de muitos jovens — de ontem e de hoje — que se viram desorientados diante das próprias emoções e receosos com a opinião alheia. Paralelamente, notamos a busca do protagonista por ser ouvido, seja através dos pais, muitas vezes atarefados com a rotina, ou através do avô, cuja longa experiência de vida se transforma em acolhimento, colocando-se no lugar do neto por já compreender o que ele atravessa.
Lou Goossens e Marius De Saeger entregam ótimas atuações. O primeiro transmite, por meio de um olhar profundo, toda a turbulência mental de Elias. Já Marius confere total segurança ao seu personagem, construindo um Alexander bem resolvido e decidido a seguir em frente, independentemente das hesitações do vizinho. Como é de se esperar, os conflitos logo surgem, inserindo Elias em um cenário de tensão que desperta o temor do público pelo destino dos garotos.
Contudo, Anthony Schatteman opta por um caminho mais solar, em que as pessoas mais próximas escolhem o acolhimento em vez da neutralidade convencional. Em tempos complexos, torna-se fundamental escutar o outro e aceitá-lo em sua totalidade. Talvez o filme peque por não ser tão autoral quanto "Monster", ou tão visceral e corajoso quanto "Close", mas uma luz no fim do túnel é, no mínimo, um acalento bem-vindo.
"Corações Jovens" é uma singela carta de amor para aqueles que redefinem e abraçam seus verdadeiros sentimentos na flor da juventude.
Com um premiado filme nacional e um elogiado filme libanês, o CineBancários traz duas estreias importantes em 25 de junho
O CineBancários tem duas estreias no próximo dia 25 de junho, o nacional APENAS COISAS BOAS, de Daniel Nolasco, estreia na sessão das 19h e o libanês UM TRISTE E BELO MUNDO, de Cyril Aris, na sessão das 17h. Na sessão das 15h permanece em cartaz o filme QUINZE DIAS, de Daniel Lieff.
Na semana em que é comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, chega ao CineBancários “Apenas CoisasBoas”, com produção da Rensga Filmes e coprodução da Caprisciana Produções, que utiliza do realismo fantástico e dos gêneros do melodrama e do suspense, em uma narrativa protagonizada por personagens LGBTQIAP+. “O filme explora a vulnerabilidade, a fantasia, o erotismo e a intensidade em personagens que escapam dos estereótipos do homem sertanejo”, comenta Daniel Nolasco, que também assina o roteiro da produção. “Apenas Coisas Boas” oferece um olhar íntimo sobre vivências marginalizadas, contando a história de dois homens que se apaixonam e ficam juntos por mais de 40 anos, tendo como cenário Goiás, um dos estados mais conservadores do Brasil. Uma reflexão intimista é proposta sobre como conquistas sociais e mudanças no comportamento e na percepção da sociedade contemporânea influenciam na vida cotidiana de um casal homoafetivo. No município de Catalão, em uma paisagem rural, Antonio, interpretado por Lucas Drummond, é um fazendeiro que vive sozinho e isolado, cuidando dos afazeres de sua pequena fazenda. Seu destino cruza com o de Marcelo, vivido por Liev Carlos, um motociclista solitário que sofre um acidente ao passar pela região. Desacordado, ele é resgatado por Antonio, que cuida de seus ferimentos e o abriga durante sua recuperação, dando início a uma história de amor que transforma, desestabiliza e provoca rupturas em cada um deles. "O longa propõe uma reflexão sobre os dilemas éticos e morais presentes no mundo contemporâneo, que impõem determinados tipos de modelos de relacionamentos e casamentos que são, por sua vez, aceitos socialmente, embora não consigam abarcar toda a diversidade afetiva e sexual presente na nossa sociedade. Aborda, entre outros temas, o casamento homoafetivo; a sexualidade na terceira idade; a violência; o desejo dissidente; e a homofobia estrutural", comenta o cineasta. Além do protagonismo queer na tela, a produção também reuniu profissionais da comunidade LGBTQIA+ por trás das câmeras.
Prêmios
“Apenas Coisas Boas” teve sua estreia mundial no Festival de Guadalajara, no México, em 2025. No Brasil, o filme foi lançado no 14o Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba, na Mostra Competitiva Brasileira, levando os prêmios de Melhor Roteiro, Melhor Som e Melhor Direção de Arte. A produção ainda foi premiada no Frameline Completion Fund, fundo norte-americano destinado a filmes com temática LGBTQ+. No For Rainbow Fortaleza, em 2025, o longa levou os prêmios de Melhor Ator (Lucas Drummond) e Melhor Direção de Arte. Já no QueerCineMad, Festival Internacional de Cinema LGBTQIA+ de Madrid, recebeu menção especial de Melhor Atriz (Renata Carvalho), no último ano. No Mix Brasil São Paulo 2025, o longa levou menção especial na Competição Nacional de Longas-Metragens, e no Reelout Queer Film Festival Kingston deste ano, recebeu o prêmio de Melhor Ator (Lucas Drummond).
Ficha Técnica:
“Apenas Coisas Boas” (Brasil | 2025 | 104’)
Direção e Roteiro: Daniel Nolasco
Elenco: Lucas Drummond, Fernando Libonati, Liev Carlos, Renata Carvalho, Igor Leoni,
Guilherme Théo, Norval Berbari, Lizz Miranda, Brenda Oliveira.
A outra estreia da semana, o libanês UM TRISTE E BELO MUNDO, de Cyril Aris, venceu o prêmio do público na Jornada dos Autores 2025 e representou o Líbano na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional
Ele é um otimista incorrigível. Ela, uma realista preocupada. Mas Nino e Yasmina nasceram no mesmo dia, no mesmo hospital em Beirute, com apenas um minuto de diferença, enquanto as tensões assolavam o Líbano - e pareciam destinados a se apaixonar. Narrado com uma energia visual pulsante que percorre encontros e desencontros ao longo de três décadas, “Um triste e belo mundo” arrebatou o Festival de Veneza 2025 e conquistou o prêmio do público na Jornada dos Autores.
Primeiro longa-metragem de ficção do libanês Cyril Aris, que também assina o roteiro ao lado de Bane Fakih, foi saudado pela crítica internacional, sobretudo pela química indiscutível entre os protagonistas, Mounia Akl e Hasan Akil, e pela destreza do diretor ao conduzir os personagens na dança do destino, da infância à idade adulta, sem cansar o espectador. Não à toa, o filme coleciona 16 prêmios internacionais e uma extensa carreira em festivais. “As atuações carismáticas e a sintonia entre Akl e Akil não deixam dúvidas de que Yasmina e Nino foram feitos um para o outro. Os olhares prolongados e os momentos de humor desarmam a plateia e reforçam o clima romântico – mas por isso mesmo os personagens secundários, incluindo a formidável mãe de Yasmina e o temperamental chef de Nino, Chafic, são um ótimo contraponto, ilustrando uma tensão crescente”, destacou a Screen International. Já o francês Le Figaro cravou: “Evocando a memória do Líbano, outrora apelidado de ‘a Suíça do Oriente Médio’, o filme transita habilmente entre diferentes épocas, utilizando elipses e flashbacks com grande efeito, tecendo uma narrativa onde o pessoal se entrelaça com o coletivo – e se consolidando como uma joia do cinema libanês”.
ESTREIAS:
APENAS COISAS BOAS
Brasil/Drama/2025/104’/ 18 anos
Direção: Daniel Nolasco
Sinopse: Catalão, interior de Goiás, 1984. A região rural da Batalha dos Neves é formada por grandes pastos de lavoura, algumas poucas fazendas e dividida ao meio pelo rio São Marcos. Antonio vive sozinho e isolado cuidando dos afazeres de sua pequena fazenda até o dia em que seu destino cruza com o de Marcelo, um motoqueiro solitário que sofre um acidente atravessando a região. Antonio cuida das feridas de Marcelo. Os dois se apaixonam e vivem uma história que transforma, desestabiliza e provoca rupturas em cada um deles.
Elenco: Lucas Drummond, Fernando Libonati, Liev Carlos, Renata Carvalho, Igor Leoni, Guilherme Théo, Norval Berbari, Lizz Miranda, Brenda Oliveira.
UM TRISTE E BELO MUNDO
Líbano / Estados Unidos / Alemanha / Arábia Saudita / Catar / Drama/2025/ 109 min.
Direção: Cyril Aris
Sinopse: Em uma história de amor que se estende por três décadas, marcada por paixão, rupturas e esperança, Nino e Yasmina se veem atraídos por uma relação intensa e magnética. Diante disso, precisam decidir se querem construir uma família e trilhar um caminho rumo à felicidade, apesar das tensões do Líbano contemporâneo.
Elenco: Mounia Akl, Hasan Akil, Julia Kassar, Camille Salameh, Tino Karam, Nadyn Chalhoub
EM CARTAZ:
QUINZE DIAS
Brasil/ Drama/ 2025/100min.
Direção: Daniel Lieff
Sinopse: Felipe é um garoto gordo e tímido que sofre bullying na escola. Ele aguarda pelas férias de julho desde o início das aulas. Afastado dos colegas que o maltratam, Felipe finalmente vai poder se dedicar somente ao que gosta: livros e séries. Mas as coisas fogem do controle quando sua mãe informa que concordou em hospedar o vizinho Caio por longos quinze dias, enquanto seus pais viajam. Felipe entra em desespero porque Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e talvez ainda seja). Inseguro, Felipe não sabe como interagir com o vizinho. Os dias que prometiam paz e tranquilidade acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, fazendo Felipe mergulhar em todas suas questões e inseguranças. Apesar das diferenças, ou por causa delas, os dois acabam se reaproximando e vivendo uma jornada de autodescoberta mútua.
Elenco: Débora Falabella, Diego Lira, Miguel Lallo filme de diretor estreante em Cannes e do prêmio do público da Quinzena dos Cineastas, também em Cannes. Elenco: Baneen Ahmad Nayyef, Sajad Mohamad Qasem, Waheed Thabet Khreibat, Rahim AlHaj.
HORÁRIOS DE 25 DE JUNHO A 01 DE JULHO(não há sessões nas segundas):
15h: QUINZE DIAS
17h: UM TRISTE E BELO MUNDO
19h: APENAS COISAS BOAS
Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas.
Em homenagem ao Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, a Sala Redenção, em parceria com a Filmicca, apresenta a mostra “Geografias do íntimo”. São seis filmes de épocas, países e gêneros distintos que celebram a diversidade das identidades queer. As sessões acontecem de 22 de junho a 1º de julho com entrada franca e aberta à comunidade em geral.
A mostra inicia no dia 22, às 16h, com o terror brasileiro “Verão Fantasma” (2022), de Matheus Marchetti. Na obra, o romance adolescente entre Lucas e Martin é interrompido por forças sobrenaturais. Às 19h do mesmo dia, a exibição do primeiro longa-metragem ficcional da cineasta Chantal Akerman, “Eu, tu, ele, ela” (1974), é seguida de debate com os historiadores da arte e egressos da UFRGS Thainá Maria e Victor Souza.
A programação segue com “Lola e o mar” (2020), filme que acompanha a protagonista, uma jovem trans, que volta a conviver com o pai após vários anos. Já “Coronel Redl” (1985) conta a história de Alfred Redl, militar austro-hungaro que esconde sua origem judia e sua homossexualidade para ascender na carreira.
De Chantal Akerman, “Os encontros de Anna” (1978) retrata as andanças da protagonista pela Europa no intuito de promover seu filme mais recente. Completa a programação da mostra o documentário colombiano “ANHELL69” (2022), uma reflexão autobiográfica do diretor Theo Montoya sobre a comunidade LGBTQIAPN+ de Medellín.
“Geografias do íntimo” encerra no dia 1º de julho, às 19h, com mais uma exibição de “Verão Fantasma” (2022), desta vez seguida de seguida de conversa com o realizador da obra, Matheus Marchetti.
A Sala Redenção está localizada no Campus Centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333.
Confira a programação completa na pagina oficial do cinema clicandoaqui.
Sinopse: Woody, Buzz e Jessie enfrentam um novo desafio: a tecnologia. A atenção de Bonnie agora é totalmente disputada por "Lilypad", um tablet novinho em folha.
Quando "Toy Story 3" (2010) nos apresentou um final que encantou a todos, parecia que não havia necessidade de mais continuações. Porém, surgiu "Toy Story 4" (2019) que, embora não seja superior ao seu antecessor, provou que ainda havia uma ponta a ser explorada, brindando-nos com um desfecho surpreendente. "Toy Story 5" (2026) chega em um momento em que os fãs temem pelo desgaste da franquia, mas, mesmo assim, impressiona ao tocar em assuntos complexos e muito atuais.
Dirigido por Andrew Stanton e McKenna Harris, a trama revela Bonnie, agora com 8 anos, descobrindo um novo passatempo: o tablet. Lilypad (dublada por Greta Lee) é um dispositivo que permite à garota interagir com outras crianças, fazer amizades e brincar online. Temendo perder a atenção da menina, Jessie (Joan Cusack) pede ajuda a Woody (Tom Hanks), mas, antes que possam agir, a vaqueira acaba parando nas mãos de outra criança. Inicia-se, então, uma missão de resgate que se transforma em uma jornada cheia de revelações inesperadas para Jessie.
Se formos analisar friamente, o filme funciona basicamente como uma releitura do clássico de 1995, mas que aborda o principal tabu da infância contemporânea: o fato de as crianças de hoje brincarem cada vez menos com brinquedos tradicionais para passar mais tempo na frente de telas. Em tempos em que, de cada dez pessoas dentro de um vagão de trem, nove estão absortas em seus aparelhos navegando por redes sociais em vez de ler um bom livro, o longa acerta em cheio ao explorar essa questão de forma saudável, convidando-nos à reflexão. Ao mesmo tempo, é uma aventura genuinamente divertida, onde os velhos conhecidos retornam, mas abrindo um espaço maior para os novos rostos, o que projeta um leque de possibilidades para o futuro da franquia.
Mas talvez o maior acerto tenha sido realmente dar o protagonismo a Jessie. A divertida vaqueira, que nos conquistou com sua emocionante história de origem em "Toy Story 2" (1999), sempre pareceu ter um potencial dramático que não havia sido totalmente explorado. Ao assumir o papel principal, ela não apenas aprende a conviver com os novos dispositivos eletrônicos, mas também compreende que Bonnie merece uma infância saudável, independentemente de ela, como brinquedo, acabar ficando em segundo plano nesse processo. Em sua missão, Jessie retorna às suas raízes, descobre algo até então desconhecido e nos entrega o momento mais emocionante de todo o longa.
Quanto aos nossos velhos conhecidos Woody e Buzz, eles se encaixam perfeitamente como coadjuvantes aqui, desempenhando papéis altamente relevantes para o desenvolvimento da trama. E se Buzz havia perdido um pouco de sua utilidade narrativa no filme anterior, os roteiristas se redimem ao introduzir um exército de clones do Buzz que realmente acreditam ser patrulheiros espaciais, cruzando o caminho dos protagonistas. Embora a ideia desse exército possa soar um pouco forçada dentro do roteiro, a execução é extremamente divertida.
Além disso, o filme é repleto de rimas visuais e momentos que remetem aos capítulos anteriores, despertando aquela nostalgia que o público tanto gosta. Se por um lado isso pode parecer uma leve falta de originalidade, por outro demonstra que os realizadores têm total consciência do peso emocional do legado da franquia, respeitando o que veio antes. Para as novas gerações, o longa funciona como um excelente cartão de visita não apenas para os filmes anteriores, mas para toda a história que a Pixar construiu desde os anos 90.
No mais, a produção traz uma bela lição sobre as novas tecnologias, mostrando que elas podem, sim, ser úteis no nosso dia a dia, desde que não nos afastem daquilo que nos torna humanos. Por conta disso, a personagem Lilypad não é construída como uma vilã convencional, mas sim como o reflexo do uso desmedido que fazemos desses aparelhos — deixando claro que cabe aos pais orientar os filhos sobre o real significado da amizade, algo que não nasce em uma tela de tablet, mas sim das boas intenções e do olho no olho. Nunca é tarde para uma superprodução trazer uma mensagem tão necessária.
"Toy Story 5" prova que uma franquia veterana ainda pode demonstrar muito fôlego diante dos dilemas do mundo real, tratando-os de forma leve, descontraída e extremamente convidativa para todas as idades.
Sobre o Filme: As redes sociais atualmente tem sido uma forma das pessoas escaparem de sua própria realidade, mas ao mesmo tempo se perdendo em um mundo virtual que, por vezes, não se leva em lugar algum. Porém, há casos desta ferramenta ajudar a pessoa, mesmo quando esse cenário se torna cada vez mais raro hoje em dia. "Um Pai para Lily" (2025) nos revela a realidade de pessoas que anseiam por carinho e que procuram enfrentar os seus próprios medos através da ajuda do seu próximo.
Dirigido e roteirizado por Tracie Laymon, o filme é inspirado em experiências da própria diretora e da qual decide revelar nas telas. Na trama, a jovem Lily (Barbie Ferreira) se decepciona mais a cada dia buscando ao buscar atenção do seu pai. Por conta do egocentrismo dele, os dois se afastam cada vez mais, o que faz Lily conhecer por acidente pelas redes sociais Bob Trevino, um homem bondoso e que vê na jovem uma forma de se sentir alguém mais vivo e ajudar ela no que for necessário.
Confira a minha crítica já publicada clicandoaqui e participe do próximo Cine Debate.